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20 de janeiro de 2020

É tarde

«É tarde
nenhum sono
repõe o que não vivi

agora
resta um único desfecho:
de novo acordar por dentro

e acordar sempre
até que volte a ser cedo.»

Mia Couto



Fonte: Facebook de Mia Couto

26 de setembro de 2010

Esvanecimento

"E Navaia se iluminou de infâncias. Me apertou a mão e, juntos, fomos entrando dentro de nossas próprias sombras. No último esfumar de meu corpo, ainda notei que os outros velhos desciam connosco, rumando pelas profundezas da frangipaneira. E ouvi a voz suavíssima de Ernestina, embalando um longínquo menino. Do lado de lá, ficavam Marta Gimo e Izidine Naíta. Sua imagem se esvanecia, deles restando a dupla cintura de um cristal, breve cintilação de madrugada.
Aos poucos, vou perdendo a língua dos homens, tomado pelo sotaque do chão. Na luminosa varanda deixo meu último sonho, a árvore do frangipani. Vou ficando do som das pedras. Me deito mais antigo que a terra. Daqui em diante, vou dormir mais quieto que a morte."

Mia Couto, em "A Varanda do Frangipani" (imagem daqui, esvanecida)