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12 de janeiro de 2020
15 de maio de 2019
17 de agosto de 2016
A Poesia é uma Arma Carregada de Futuro
A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO
GABRIEL CELAYA (1911-1991)
«Quando já nada se espera particularmente exaltante
mas palpitamos e seguimos aquém da consciência,
feramente existindo, cegamente afirmando,
como um pulso que golpeia as trevas,
quando miramos de frente
os vertiginosos olhos claros da morte,
dizemos as verdades;
as bárbaras, terríveis, amorosas crueldades
Dizemos os poemas
que enchem os pulmões dos que, asfixiados,
pedem ser, pedem ritmo,
pedem lei para aquilo que sentem em excesso,
com a velocidade do instinto,
com o raio do prodígio,
como mágica evidência, o real que se transforma
no idêntico a si mesmo.
Poesia para o pobre, poesia necessária
como o pão de cada dia,
como o ar que exigimos treze vezes por minuto,
para ser e enquanto somos dar o sim que glorifica.
Porque vivemos aos tropeços, porque apenas nos deixam
dizer que somos quem somos,
os cânticos não podem ser, sem pecado, um adorno.
Estamos chegando ao fundo.
Maldita a poesia concebida como um luxo
cultural para os neutros
que, lavando-se as mãos, se desentendem e evadem.
Maldigo a poesia de quem não toma partido até manchar-se.
Faço minhas as faltas. Sinto em mim os que sofrem
e canto respirando.
Canto, e canto e cantando para lá de minhas penas,
me amplio.
Quisera dar-lhes vida, provocar novos atos,
e calculo por isso com a técnica que posso.
Me sinto um engenheiro do verso e um operário
que forja com outros a Espanha em seus alicerces.
Assim é minha poesia: poesia-ferramenta
ao mesmo tempo pulsar do unânime e cego.
Assim é, arma carregada de futuro expansivo
com que aponto o teu peito.
Não é uma poesia gota a gota pensada.
Não é um belo produto. Não é um fruto perfeito.
É algo como o ar que todos respiramos
e é o canto que expande o que dentro levamos.
São palavras que repetimos sentindo
como nossas, e voam. São mais que o pensado.
São gritos no céu, e, na terra, são atos.»
Gabriel Celaya, 1955, Cantos Iberos
(tradução de António Miranda)
Fonte e versão original em espanhol: http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/espanha/gabriel_celaya.html
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GABRIEL CELAYA (1911-1991)
| Biblioteca em Móron, Cuba, 2016 |
mas palpitamos e seguimos aquém da consciência,
feramente existindo, cegamente afirmando,
como um pulso que golpeia as trevas,
quando miramos de frente
os vertiginosos olhos claros da morte,
dizemos as verdades;
as bárbaras, terríveis, amorosas crueldades
Dizemos os poemas
que enchem os pulmões dos que, asfixiados,
pedem ser, pedem ritmo,
pedem lei para aquilo que sentem em excesso,
com a velocidade do instinto,
com o raio do prodígio,
como mágica evidência, o real que se transforma
no idêntico a si mesmo.
Poesia para o pobre, poesia necessária
como o pão de cada dia,
como o ar que exigimos treze vezes por minuto,
para ser e enquanto somos dar o sim que glorifica.
Porque vivemos aos tropeços, porque apenas nos deixam
dizer que somos quem somos,
os cânticos não podem ser, sem pecado, um adorno.
Estamos chegando ao fundo.
Maldita a poesia concebida como um luxo
cultural para os neutros
que, lavando-se as mãos, se desentendem e evadem.
Maldigo a poesia de quem não toma partido até manchar-se.
Faço minhas as faltas. Sinto em mim os que sofrem
e canto respirando.
Canto, e canto e cantando para lá de minhas penas,
me amplio.
![]() |
| Gabriel Celaya, foto de http://www.gabrielcelaya.com/ |
Quisera dar-lhes vida, provocar novos atos,
e calculo por isso com a técnica que posso.
Me sinto um engenheiro do verso e um operário
que forja com outros a Espanha em seus alicerces.
Assim é minha poesia: poesia-ferramenta
ao mesmo tempo pulsar do unânime e cego.
Assim é, arma carregada de futuro expansivo
com que aponto o teu peito.
Não é uma poesia gota a gota pensada.
Não é um belo produto. Não é um fruto perfeito.
É algo como o ar que todos respiramos
e é o canto que expande o que dentro levamos.
São palavras que repetimos sentindo
como nossas, e voam. São mais que o pensado.
São gritos no céu, e, na terra, são atos.»
Gabriel Celaya, 1955, Cantos Iberos
(tradução de António Miranda)
Fonte e versão original em espanhol: http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/espanha/gabriel_celaya.html
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18 de outubro de 2015
3 de julho de 2013
29 de março de 2013
7 de dezembro de 2012
"Do you have love for humankind?"
Tearz for Animals from videonotmine on Vimeo.
Vídeo não oficial da versão de "Tearz for animals", de CocoRosie, com Antony Hegarty. Com os agradecimentos à Ana Teresa.
13 de outubro de 2012
Hoppipolla
Uma conjugação entre as belíssimas imagens da natureza da BBC (Planet Earth) com a música "Hoppípolla" da banda islandesa Sigur Rós
22 de junho de 2012
"I like how it feels" - Sandy Kilpatrick
Música "I like how it feels" do álbum Redemption Road de Sandy Kilpatrick, um famalicence nascido na Escócia. O vídeo foi gravado nos jardins e espaços exteriores do Mosteiro de Tibães, em Braga.
21 de março de 2012
29 de janeiro de 2012
20 de janeiro de 2012
17 de dezembro de 2011
25 de novembro de 2011
Voltar ao início
Uma versão country da música The Scientist dos Coldplay, interpretado por Willie Nelson, como banda sonora da curta-metragem de animação "Back to the Start", realizada por Johnny Kelly.
13 de novembro de 2011
Serenidade
Não o conhecia bem, era amigo dos meus amigos, há muitos anos, mas poucas vezes nos cruzamos. Era uma daquelas pessoas de que não podia deixar de gostar. Nasceu no mesmo ano que eu, e hoje partiu, depois de uma vida que não lhe deu tréguas. Através do facebook, este vídeo foi uma das suas últimas partilhas. Partilho-a também, com a frase que ele deixou.
«A serenidade é fantástica, faz lembrar o "As quatro estações" de Vivaldi»
9 de outubro de 2011
12 de setembro de 2011
O Beijo do Sol
O novo projecto de Pedro Osório, "Cantos da Babilónia", está quase pronto. "É constituido por peças em que o piano tem um papel de destaque, e que são construidas a partir de pequenos excertos de canções tradicionais da Europa, Ásia e África." (Fonte: Pedro Osório)
8 de setembro de 2011
5 de setembro de 2011
Freddie Mercury no Google
Porque gostei da animação com que a Google nos brindou para comemorar o 65º aniversário do nascimento de Freddie Mercury, aqui a "armazeno".
25 de julho de 2011
Há um tempo, todo o tempo, nenhum tempo
Porque há um tempo para rir, um tempo para chorar, um tempo para reflectir, um tempo para construir... porque todo o tempo devia ser tempo de amor, amizade e partilha... e porque nenhum tempo devia ser tempo de ódio ou de guerra... partilho novamente esta música, de que tanto gosto!
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