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17 de agosto de 2016

A Poesia é uma Arma Carregada de Futuro

A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO
GABRIEL CELAYA (1911-1991)

Biblioteca em Móron, Cuba, 2016
«Quando já nada se espera particularmente exaltante
mas palpitamos e seguimos aquém da consciência,
feramente existindo, cegamente afirmando,
como um pulso que golpeia as trevas,

quando miramos de frente
os vertiginosos olhos claros da morte,
dizemos as verdades;
as bárbaras, terríveis, amorosas crueldades

Dizemos os poemas
que enchem os pulmões dos que, asfixiados,
pedem ser, pedem ritmo,
pedem lei para aquilo que sentem em excesso,

com a velocidade do instinto,
com o raio do prodígio,
como mágica evidência, o real que se transforma
no idêntico a si mesmo.

Poesia para o pobre, poesia necessária
como o pão de cada dia,
como o ar que exigimos treze vezes por minuto,
para ser e enquanto somos dar o sim que glorifica.

Porque vivemos aos tropeços, porque apenas nos deixam
dizer que somos quem somos,
os cânticos não podem ser, sem pecado, um adorno.
Estamos chegando ao fundo.

Maldita a poesia concebida como um luxo
cultural para os neutros
que, lavando-se as mãos, se desentendem e evadem.
Maldigo a poesia de quem não toma partido até manchar-se.

Faço minhas as faltas. Sinto em mim os que sofrem
e canto respirando.
Canto, e canto e cantando para lá de minhas penas,
me amplio.
Gabriel Celaya, foto de http://www.gabrielcelaya.com/

Quisera dar-lhes vida, provocar novos atos,
e calculo por isso com a técnica que posso.
Me sinto um engenheiro do verso e um operário
que forja com outros a Espanha em seus alicerces.
Assim é minha poesia: poesia-ferramenta
ao mesmo tempo pulsar do unânime e cego.
Assim é, arma carregada de futuro expansivo
com que aponto o teu peito.

Não é uma poesia gota a gota pensada.
Não é um belo produto. Não é um fruto perfeito.
É algo como o ar que todos respiramos
e é o canto que expande o que dentro levamos.

São palavras que repetimos sentindo
como nossas, e voam. São mais que o pensado.
São gritos no céu, e, na terra, são atos.»

Gabriel  Celaya, 1955, Cantos Iberos
(tradução de António Miranda)

Fonte e versão original em espanhol:  http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/espanha/gabriel_celaya.html



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22 de junho de 2012

"I like how it feels" - Sandy Kilpatrick

Música "I like how it feels" do álbum Redemption Road de Sandy Kilpatrick, um famalicence nascido na Escócia. O vídeo foi gravado nos jardins e espaços exteriores do Mosteiro de Tibães, em Braga.

13 de novembro de 2011

Serenidade

Não o conhecia bem, era amigo dos meus amigos, há muitos anos, mas poucas vezes nos cruzamos. Era uma daquelas pessoas de que não podia deixar de gostar. Nasceu no mesmo ano que eu, e hoje partiu, depois de uma vida que não lhe deu tréguas. Através do facebook, este vídeo foi uma das suas últimas partilhas. Partilho-a também, com a frase que ele deixou.

«A serenidade é fantástica, faz lembrar o "As quatro estações" de Vivaldi»

12 de setembro de 2011

O Beijo do Sol

O novo projecto de Pedro Osório, "Cantos da Babilónia", está quase pronto. "É constituido por peças em que o piano tem um papel de destaque, e que são construidas a partir de pequenos excertos de canções tradicionais da Europa, Ásia e África." (Fonte: Pedro Osório

5 de setembro de 2011

Freddie Mercury no Google

Porque gostei da animação com que a Google nos brindou para comemorar o 65º aniversário do nascimento de Freddie Mercury, aqui a "armazeno".

25 de julho de 2011

Há um tempo, todo o tempo, nenhum tempo

Porque há um tempo para rir, um tempo para chorar, um tempo para reflectir, um tempo para construir... porque todo o tempo devia ser tempo de amor, amizade e partilha... e porque nenhum tempo devia ser tempo de ódio ou de guerra... partilho novamente esta música, de que tanto gosto!