«Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros — cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?»
Fernando Pessoa
26-8-1930
Novas Poesias Inéditas. Fernando Pessoa. (Direcção, recolha e notas de Maria do Rosário Marques Sabino e Adelaide Maria Monteiro Sereno.) Lisboa: Ática, 1973 (4ª ed. 1993). - 50.
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2 de janeiro de 2018
26 de fevereiro de 2016
Loving Vincent
O novo trailer do filme Loving Vincent (de Dorota Kobiela e Hugh Welchman, Breakthru Productions, Polónia), deixa-nos fascinados com os trabalhos de Van Gogh mais vivos que nunca.
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| Imagem de http://www.lovingvincent.com/ |
«"Loving Vincent" é uma investigação sobre a vida e controversa morte de Vincent van Gogh, um dos pintores mais amados do mundo, contada pelass suas pinturas e pelos personagens que as habitam. A intriga desenrola-se através de entrevistas com os personagens mais próximos de Vincent e através de reconstruções dramáticas dos acontecimentos que antecederam a sua morte.
"Loving Vincent" apresenta mais de cento e vinte das melhores pinturas de Vincent Van Gogh. A trama, construída a partir das 800 cartas escritas pelo próprio pintor, levam-nos a pessoas e eventos significativos no tempo que antecedeu a sua morte inesperada.
"Loving Vincent" será a primeira longa-metragem do mundo de animação pintada, produzida pelas empresas vencedoras de Óscares Breakthru Films e Trademark Films. Cada quadro do filme Vincent Amar é uma pintura a óleo sobre tela, usando a mesma técnica em que o próprio Vincent pintou.»
Fonte: tradução de http://www.lovingvincent.com/?id=about
(Ver aqui trailer anterior)
14 de dezembro de 2014
Sonhando com Van Gogh
Vídeo: fragmento do filme "Sonhos" do cineasta japonês Akira Kurosawa, 1990.
Imagem: "Campo de Trigo com Corvos", Vincent van Gogh, 1890. Consta que foi a sua última obra.
28 de outubro de 2013
Passar a limpo a Matéria
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| "Sempre juntos", Vladimir Kush (daqui) |
Repor no seu lugar as cousas que os homens desarrumaram
Por não perceberem para que serviam
Endireitar, como uma boa dona de casa da Realidade,
As cortinas nas janelas da Sensação
E os capachos às portas da Percepção
Varrer os quartos da observação
E limpar o pó das ideias simples...
Eis a minha vida, verso a verso.
17/09/1914
Alberto Caeiro
(em "Fernando Pessoa, Poemas escolhidos de Alberto Caeiro", Assírio & Alvim, 2013)
Imagem: "Sempre juntos" de Vladimir Kush
5 de junho de 2012
Eles querem, eu não quero
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que eu faça o que faço
Eles querem
que eu diga o que digo
Eles querem
que eu seja o que sou
Eu não quero
fazer o que faço
Eu não quero
dizer o que digo
Eu não quero
ser o que sou
Hoje estou
amanhã sou
E depois
que levem o melhor
que para mim
tanto me faz."
Henrique Risques Pereira, em Transparência do Tempo, edições Quasi. Desenho também de Risques Pereira, sem título, 1950, tinta-da-china sobre papel, obtida em São Mamede - Galeria de Arte.
10 de fevereiro de 2010
Já me basta de sabedoria
Já me basta de sabedoriaeu para aqui me fico
que descanso este silêncio
estarão dormindo
talvez ausentes.
De lá fora
só cantares de pássaros
e o murmúrio da brisa nas árvores altas
aqui e além
um grito de criança divertida.
A luz cai oblíqua
e eu estirado
a sentir o tempo passar.
Que ninguém chore.
Henrique Risques Pereira, em Transparência do Tempo, edições Quasi, daqui. Pintura também de Risques Pereira, sem título, 1949, guache, aguada e tinta-da-China sobre papel, colecção Fundação Cupertino de Miranda
6 de dezembro de 2009
Era um pássaro alto
Era um pássaro alto como um mapae que devorava o azul
como nós devoramos o nosso amor.
Era a sombra de uma mão sozinha
num espaço impossivelmente vasto
perdido na sua própria extensão.
Era a chegada de uma muito longa viagem
diante de uma porta de sal
dentro de um pequeno diamante.
Era um arranha-céus
regressado do fundo do mar.
Era um mar em forma de serpente
dentro da sombra de um lírio.
Era a areia e o vento
como escravos
atados por dentro ao azul do luar.
Cruzeiro Seixas, em "Áfricas", 1950, Poema integrado no 1º caderno do Centro de Estudos do Surrealismo, da Fundação Cupertino de Miranda, de Vila Nova de Famalicão (daqui).
Pintura também de Cruzeiro Seixas, sem título, 1970 (daqui)
Pintura também de Cruzeiro Seixas, sem título, 1970 (daqui)
25 de novembro de 2009
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontroEm todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny (Poema e pintura)
15 de julho de 2009
Wassily Kandinsky
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