31 de julho de 2009

No mar

Magnete
metal
ausente
existente
baralha
confunde
bússola
demente

Perdida
a sul
nascente
e poente
tamanho
desnorte
em mim
presente

À deriva
sem rumo
perdida no mar
leva-me corrente
para algum lugar
onde o sol não queime
e haja luar

21 de julho de 2009

Voodoo Girl

Deixo-vos com uma curta metragem em "stop-motion", baseada num poema de Tim Burton, "Voodoo Girl", realizada por uma aluna de Cinema, Sofia Alves, no âmbito de uma das disciplinas do curso. Com música de Alberto Iglesias, "Alicia vive", da banda sonora do filme "Hable Con Ella".

20 de julho de 2009

Avó

"Tu estavas, avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer." Assim mesmo. Eu estava lá."

José Saramago, em "As Pequenas Memórias"

Choose Love - Rita Redshoes

Boa música portuguesa, embora se expresse em inglês. Promissora Rita.

19 de julho de 2009

Houvesse muitos assim

Na revista Única incluída no semanário Expresso, de ontem, a rubrica Perfil apresenta um artigo intitulado "A torto e a direito" sobre o bastonário da ordem dos advogados, Marinho Pinto. Algumas das suas frases, são um testemunho da sua lucidez na análise da realidade deste Portugal:

- "A distribuição da riqueza é mal feita e acentuou desigualdades que lembram alguns dos piores momentos da nossa História. Os partidos políticos deixaram de ter um papel de moderação e mobilização e funcionam mais como sindicatos ou aparelhos que lutam por votos para receber os subsídios do Estado, o que descredibiliza o discurso político e as instituições democráticas."

- "Vive-se na espuma mediática criada pelos próprios jornalistas, que já não orientam a sua actividade por critérios de natureza ética e deontológica."

- "A aplicação mecânica da lei leva às piores injustiças. A lei é apenas uma de várias fontes de Direito". "Quando escolhi ser advogado, estava cheio de ilusões e ideais sobre a justiça. Perdi todas as ilusões, mas nenhum dos ideais."

Muito se fala, muito se diz, muito se ataca Marinho Pinto. É certo que ele dispara para muitos lados. Mas não a torto e a direito. À parte generalizações, bem sabemos que há muito de podre no funcionamento das instituições neste país.

Por isso, não tenho como não gostar e não aplaudir a coragem de Marinho Pinto .

Tradições inaceitáveis

As tradições fazem parte da cultura dos povos.
Mas muitas delas são inaceitáveis.
Nunca o sofrimento deveria ser tradição.

18 de julho de 2009

Amostra sem valor

"Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo."

António Gedeão

16 de julho de 2009

Boas pessoas

Gostaria de ser boa pessoa. Não sei se o sou, talvez não o seja. Mas nem sei definir o que é uma boa pessoa. Nem tão pouco sei dizer o que é uma má pessoa.

De que matéria são feitas as boas pessoas? Terão elas mais "razão" ou "sentimento" que as que o não são? O que as identifica? Ser boa pessoa não implica ser perfeito. Mas ser má pessoa implica de certeza ser muito imperfeito. Onde está a linha divisória? Difícil separação. As cores branco e negro misturam-se em diversas gradações de cinzentos. E depois, há as cores à mistura. Desta complexidade cromática, será que não se pode distinguir o claro do escuro?

Primariamente, move-nos o egoísmo, o impulso de satisfazer os nossos desejos e ambições. De sobressairmos, de sermos mais e melhor que os outros. Procura-se a felicidade no poder e no dinheiro, que se acha ser a fonte da satisfação dos desejos.
Alguns põe estes objectivos à frente de tudo e sobretudo à frente daqueles que se lhes deparam no caminho. Simulam. Mentem. Prejudicam. Corrompem-se.
Não, estes decerto não podem ser boas pessoas. Pelo menos enquanto pensarem que têm mais direitos que os outros. Enquanto não souberem que a felicidade maior vem de partilhar, e mais do dar que receber.

Depois, vem a nossa capacidade de olhar para os outros. De os respeitar. De os considerarmos iguais, por muito diferentes que sejam. De partilhar e de dar. Àqueles que nos rodeiam e àqueles que estão longe, bem longe.
E talvez seja nessa luta constante entre nós e os outros que se evidencia essa capacidade de dar que têm as boas pessoas.

Mesmo não sendo perfeitas, mesmo com momentos em que se deixam dominar pelo egoísmo, as boas pessoas passam pelas nossa vidas deixando um rasto de esperança na humanidade.

Talvez seja isso que as distingue.

15 de julho de 2009

Bari Improv - Kaki King

August Rush é um filme de Kirsten Sheridan, de 2007, atacado ou desprezado pela crítica cinematográfica. Conta uma história improvável de um miúdo num orfanato que sonha encontrar os pais. Mas no fundo, trata mesmo é da paixão pela música. Bonito e dispõe bem.

Wassily Kandinsky


Yellow Red Blue. A pintura de Kandinsky fascina-me. E qual o significado da sua pintura? Mas que é que isso interessa? Significa aquilo que eu vejo nela. Isso sim, é o que interessa.