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| Imagem de APEAJIEC |
A fome alastra pelo mundo fora, em países afectados pelas guerras, pelas perseguições, por terremotos, pelas cheias, secas e outras consequências das alterações climáticas, pela irresponsável e criminosa má governação e má distribuição de recursos.
Mas alastra também, aqui, em Portugal, com as instituições de solidariedade social a não terem mão a medir com o assustadoramente crescente número de pessoas a precisarem de ajuda para se poderem alimentar. Quantas crianças não têm como únicas refeições aquelas que tomam na escola, como relata o artigo de ontem no Expresso: Escolas lutam contra a fome
Numa altura de crise de valores que nos levou à crise económica, e em que os governantes insistem em fazer os que menos têm, e que menos culpa têm, pagar as dívidas que contraíram e o dinheiro que torraram em investimentos desnecessários, em obras que custam o dobro do suposto, e em ordenados e reformas a gestores públicos impensáveis nos países ricos, cabe aos municípios e às comunidades locais fazer um esforço para colmatar as necessidades dos mais afectados.
"A situação de pobreza começa a ser dramática e um pouco por todo o país há escolas que já abrem os seus refeitórios ao fim-de-semana para que os alunos mais carenciados possam almoçar. Deixaram de ser só as Misericórdias, a Cáritas ou outras instituições de solidariedade a responder às necessidades dos mais pobres e desprotegidos. As escolas conhecem e vivem este enorme flagelo. Confrontam-se, no dia-a-dia, com grupos de crianças que chegam à escola sem o aconchego de uma refeição, relatam vários professores e directores de agrupamentos de escolas. Por isso, a escola, que no cumprimento da sua função social assume um extenso leque de obrigações, passa a acumular também a de instituição de solidariedade social. As crianças comem não só à semana e ao fim-de-semana. Comem nas férias e as do Natal estão à porta. Os orçamentos das escolas são parcos. Os municípios, pelas competências e responsabilidades que sobre eles recaem quanto à educação, não se podem demitir. A si próprios devem exigir um maior rigor na utilização dos dinheiros públicos fazendo deles uma gestão humanizada." Edna Cardoso, professora, em O Povo Famalicense






