22 de janeiro de 2011

A espantosa realidade das cousas

Mosteiro de Tibães - exterior
"A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade."

Alberto Caeiro

12 de janeiro de 2011

Superação

De origem sérvia, Nick Vujicic nasceu em Brisbane, na Austrália, em 1982. Nasceu sem braços e sem pernas. Mas o que lhe falta em membros, sobra-lhe em alegria de viver e motivação. Aos 17 anos fundou uma organização sem fins lucrativos, a Life Without Limbs, e vive de palestras motivacionais pelo mundo fora. Um exemplo de superação e optimismo.

22 de dezembro de 2010

Sejam felizes



Aos visitantes deste Armazém desejo um bom Natal e um óptimo ano de 2011. E uma palavra de agradecimento a todos os que me têm feito companhia através dos comentários. Obrigada!  

Façam o favor de serem felizes :)

16 de dezembro de 2010

Palavras para a minha mãe

"Palavras para a minha mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo.
a fotografia em que estou sentado ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras. sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste. somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes."

8 de dezembro de 2010

Imagine Direitos Humanos

Porque dia 8 de Dezembro faz 30 anos que morreu John Lennon.
Porque dia 10 de Dezembro se comemora o Dia Internacional do Direitos Humanos
Porque o sonho ainda não morreu.
Imagine que todos têm Direitos Humanos.

2 de dezembro de 2010

Os antigos

"Os antigos invocavam as Musas.
Nós invocamo-nos a nós mesmos.
Não sei se as Musas apareciam —
Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. —
Mas sei que nós não aparecemos.
Quantas vezes me tenho debruçado
Sobre o poço que me suponho
E balido «Ah!» para ouvir um eco,
E não tenho ouvido mais que o visto —
O vago alvor escuro com que a água resplandece
Lá na inutilidade do fundo...
Nenhum eco para mim...
Só vagamente uma cara,
Que deve ser a minha, por não poder ser de outro.
É uma coisa quase invisível,
Excepto como luminosamente vejo
Lá no fundo...
No silêncio e na luz falsa do fundo...

Que Musa!........."

Álvaro de Campos, 3/1//1935

19 de novembro de 2010

Não custa mesmo nada....

Basta responder a 6 perguntas de "cultura geral" sobre a fome que se passa no mundo.

Por cada quiz do WFP (Programa Alimentar Mundial) respondido, um anónimo contribui com uma refeição escolar para uma criança com fome.

Como vê, não custa mesmo nada...

14 de novembro de 2010

Mundo enlouquecido




Tem cerca de uma década, esta música de Manu Chao (José-Manuel Thomas Arthur Chao, 1961) dedicada a Bob Marley.  E o mundo continua cada vez mais enlouquecido, enquanto alguns Mr. Bobby's nos tentam alertar ao mesmo tempo que alegrar com suas músicas. Valha-nos a arte!