16 de setembro de 2012
Crescimento (por Leunig)
"Cada um terá de viver criativamente - criatividade significa que, apesar de você perder o que esperava ter, você encontrará algo melhor e então você irá crescer" Michael Leunig
Fonte (do cartoon de Michael Leunig e da frase): abc.net.au.
6 de setembro de 2012
18 de julho de 2012
Abandonado
"Escrito num livro abandonado em viagem
Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram."
Álvaro de Campos (Março 1928), em "II Poesias de Álvaro de Campos", Obras Completas de Fernando Pessoa, Edições Ática, 1991
Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram."
Álvaro de Campos (Março 1928), em "II Poesias de Álvaro de Campos", Obras Completas de Fernando Pessoa, Edições Ática, 1991
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| Fotografia de RUIN'ARTE
Tão abandonado está a ficar este armazém, que completou 3 anos há duas semanas, e nem me lembrei. O tempo não tem chegado para cuidar dele! Mesmo assim, um grande OBRIGADA a todos os que ainda o visitam.
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22 de junho de 2012
"I like how it feels" - Sandy Kilpatrick
Música "I like how it feels" do álbum Redemption Road de Sandy Kilpatrick, um famalicence nascido na Escócia. O vídeo foi gravado nos jardins e espaços exteriores do Mosteiro de Tibães, em Braga.
5 de junho de 2012
Eles querem, eu não quero
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que eu faça o que faço
Eles querem
que eu diga o que digo
Eles querem
que eu seja o que sou
Eu não quero
fazer o que faço
Eu não quero
dizer o que digo
Eu não quero
ser o que sou
Hoje estou
amanhã sou
E depois
que levem o melhor
que para mim
tanto me faz."
Henrique Risques Pereira, em Transparência do Tempo, edições Quasi. Desenho também de Risques Pereira, sem título, 1950, tinta-da-china sobre papel, obtida em São Mamede - Galeria de Arte.
14 de maio de 2012
6 de maio de 2012
29 de abril de 2012
7 de abril de 2012
É-se
"Há muita coisa a dizer e não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. É-se. Sou-me. Tu te és.
E sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico, fantástico e gigantesco: a vida é sobrenatural. E caminho segurando um guarda-chuva aberto sobre corda tensa. Caminho até o limite do meu sonho grande. Vejo a fúria dos impulsos viscerais: vísceras torturadas me guiam. Não gosto do que acabo de escrever - mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço. Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço."
Clarice Lispector, em "Água Viva", 1973. Edição Relógio d'Água, Março 2012 (e imagem da capa)
21 de março de 2012
17 de março de 2012
1 de março de 2012
A Tempestade
Curta-metragem "A Tempestade" de Jorge Barros, Sofia Peixe, Marcos Ribeiro, Ana Sofia Alves e Nelson Mota, que falam no programa "Não Linear" sobre este projeto realizado no âmbito do 1º ano do mestrado em animação (2009/2010) da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto.
O filme foi exibido durante o concerto "Fantasia de Natal" na Casa da Música do Porto, em 17 e 18 de Dezembro de 2010.
S04E03 (A Tempestade) from Não Linear on Vimeo.
O filme foi exibido durante o concerto "Fantasia de Natal" na Casa da Música do Porto, em 17 e 18 de Dezembro de 2010.
S04E03 (A Tempestade) from Não Linear on Vimeo.
29 de janeiro de 2012
20 de janeiro de 2012
4 de janeiro de 2012
Não tenho tempo
Poema de Neimar de Barros dito por Vítor de Sousa
Letra em http://www.revista.agulha.nom.br/nba01.html
Letra em http://www.revista.agulha.nom.br/nba01.html
31 de dezembro de 2011
Em cadeia e em círculo
Com os votos de um ano novo muito melhor do que o esperado! Façamos por isso!
17 de dezembro de 2011
25 de novembro de 2011
Voltar ao início
Uma versão country da música The Scientist dos Coldplay, interpretado por Willie Nelson, como banda sonora da curta-metragem de animação "Back to the Start", realizada por Johnny Kelly.
13 de novembro de 2011
Serenidade
Não o conhecia bem, era amigo dos meus amigos, há muitos anos, mas poucas vezes nos cruzamos. Era uma daquelas pessoas de que não podia deixar de gostar. Nasceu no mesmo ano que eu, e hoje partiu, depois de uma vida que não lhe deu tréguas. Através do facebook, este vídeo foi uma das suas últimas partilhas. Partilho-a também, com a frase que ele deixou.
«A serenidade é fantástica, faz lembrar o "As quatro estações" de Vivaldi»
21 de outubro de 2011
Pensando em nada
"Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
Alberto Caeiro
O que penso eu do mundo?Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
Alberto Caeiro
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