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13 de novembro de 2011

Serenidade

Não o conhecia bem, era amigo dos meus amigos, há muitos anos, mas poucas vezes nos cruzamos. Era uma daquelas pessoas de que não podia deixar de gostar. Nasceu no mesmo ano que eu, e hoje partiu, depois de uma vida que não lhe deu tréguas. Através do facebook, este vídeo foi uma das suas últimas partilhas. Partilho-a também, com a frase que ele deixou.

«A serenidade é fantástica, faz lembrar o "As quatro estações" de Vivaldi»

10 de julho de 2009

Despedida da flor


"- Adeus, disse à flor.
Mas ela não lhe respondeu.
-Adeus, repetiu.
A flor tossiu. Mas não era por causa da constipação.
- Fui uma tola, disse-lhe por fim. Perdoa-me e procura ser feliz.
Surpreendeu-o a ausência de censuras. Permanecia ali, todo confuso, com o globo na mão. Não compreendia aquela suavidade calma.
- É certo, amo-te, disse-lhe a flor. Por minha culpa, não soubeste de nada. Isso não tem importância alguma. Mas tu foste tão tolo como eu. Procura ser feliz... Pousa essa redoma. Já não a quero.
- Mas o vento...
- Não estou constipada como isso... O ar fresco da noite vai fazer-me bem... Sou uma flor.
- Mas as feras...
- Se tiver de suportar duas ou três lagartas, para chegar a conhecer as borboletas, não faz mal. Dizem que é tão bonito. Senão, quem me há-de visitar? Estarás longe, tu. Das feras maiores não tenho medo nenhum. Tenho as minhas garras.
E mostrava ingènuamente os quatro espinhos. Depois acrescentou:
- Não te demores mais, é irritante. Decidiste partir. Vai-te embora.
É que não queria que ele a visse chorar. Era uma flor tão orgulhosa..."

Antoine de Saint-Exupéry, em "O Principezinho" (4ª edição, tradução de Alice Gomes)