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9 de novembro de 2010

Escolas contra a fome

Imagem de APEAJIEC
A fome alastra pelo mundo fora, em países afectados pelas guerras, pelas perseguições, por terremotos, pelas cheias, secas e outras consequências das alterações climáticas, pela irresponsável e criminosa má governação e má distribuição de recursos.

Mas alastra também, aqui, em Portugal, com as instituições de solidariedade social a não terem mão a medir com o assustadoramente crescente número de pessoas a precisarem de ajuda para se poderem alimentar. Quantas crianças não têm como únicas refeições aquelas que tomam na escola, como relata o artigo de ontem no Expresso: Escolas lutam contra a fome

Numa altura de crise de valores que nos levou à crise económica, e em que os governantes insistem em fazer os que menos têm, e que menos culpa têm, pagar as dívidas que contraíram e o dinheiro que torraram em investimentos desnecessários, em obras que custam o dobro do suposto, e em ordenados e reformas a gestores públicos impensáveis nos países ricos, cabe aos municípios e às comunidades locais fazer um esforço para colmatar as necessidades dos mais afectados.

"A situação de pobreza começa a ser dramática e um pouco por todo o país há escolas que já abrem os seus refeitórios ao fim-de-semana para que os alunos mais carenciados possam almoçar. Deixaram de ser só as Misericórdias, a Cáritas ou outras instituições de solidariedade a responder às necessidades dos mais pobres e desprotegidos. As escolas conhecem e vivem este enorme flagelo. Confrontam-se, no dia-a-dia, com grupos de crianças que chegam à escola sem o aconchego de uma refeição, relatam vários professores e directores de agrupamentos de escolas. Por isso, a escola, que no cumprimento da sua função social assume um extenso leque de obrigações, passa a acumular também a de instituição de solidariedade social. As crianças comem não só à semana e ao fim-de-semana. Comem nas férias e as do Natal estão à porta. Os orçamentos das escolas são parcos. Os municípios, pelas competências e responsabilidades que sobre eles recaem quanto à educação, não se podem demitir. A si próprios devem exigir um maior rigor na utilização dos dinheiros públicos fazendo deles uma gestão humanizada." Edna Cardoso, professora, em O Povo Famalicense

6 de abril de 2010

Para que servem 320 milhões de euros?

Servem, por exemplo, para deitar ao lixo sob a forma de medicamentos não usados, num ano, em Portugal! Pelo menos foi o que julgo ter ouvido nas notícias hoje na RTP!

Para se fazer alguma coisa, é preciso vontade e acção, não basta mandar para o Diário da República uma Portaria 697/2009 sobre o fornecimento em unidose, e esperar que as farmácias e as farmacêuticas adiram... (sim, elas aderem já, de boa vontade...)
320.000.000 € para o lixo, num ano, só de medicamentos? Será que ouvi mal o número? Por favor, digam-me que foi engano!

25 de março de 2010

Onde está a Justiça? Em Portugal é que não!

Ao ouvir as notícias hoje à noite, caiu-me o coração ao chão! Eu achava que a Justiça em Portugal era lenta e má, desconfiava, no entanto, face a um processo que ocorreu há uns anos com uma pessoa que me é muito querida, que ela não existia por cá. Agora tive a confirmação (TVI24):

O corrupto é condenado em 5 mil euros. O que o denunciou, é condenado a a pagar mais de 13 mil euros. Dos quais, 10 mil são para indemnizar o corrupto. Lucrou 5 mil.

Ricardo Sá Fernandes está indignado, e eu também estou!

Inacreditável! Belo caminho na luta contra a corrupção!

5 de março de 2010

Estou por aí...

Tenho andado ocupada, entre outras coisas, com isto:

Entretanto, armazeno por aqui este vídeo, que já conhecia há algum tempo, e que o Planeta Voluntários adoptou para a sua campanha Tome Uma Atitude!. Uma bela mensagem, que vale a pena relembrar!

8 de novembro de 2009

Pai, tenho saudades

Pai, hoje é o dia do teu aniversário. Não te posso dar os parabéns, porque já não estás connosco. Há muito tempo que partiste e que me habituei a viver sem ti. Hoje tenho a idade que tinhas quando partiste, e o dobro da que eu tinha nesse triste data, mas nunca me deixaste verdadeiramente só.
Eras um homem bom, sonhador. Apaixonado pela vida, apaixonado pela nossa mãe, apaixonado pelos teus 6 filhos, pelas ideias que punhas em prática, embora nem sempre com sucesso. Eras amigo do amigo como nunca vi.
Pai, desculpa eu raramente visitar a tua sepultura, é que eu não gosto, pois eu sei que tu não estás lá. Visito-te sempre dentro de mim. Não tens estado por cá, mas mesmo assim, continuas a ajudar-me nos momentos mais difíceis.
Como gostaria de saber escrever um belo texto com belas palavras para te dedicar, mas não fui eu que herdei esse genes do lado da mãe. Tu também não eras um homem de palavras. Mas nunca, nunca mais esqueci aquelas que me escreveste nas fitas da universidade:
"O que mais te desejo é a felicidade e a paz de consciência"
Pai, tenho tantas saudades tuas...

6 de agosto de 2009

Um lugar

Aquele lugar, aquele cheiro a terra misturada com vegetação, os pinheiros, os eucaliptos das bouças a sul, o ar transparente, e o carvalho, o carvalho em frente à casa; sinal de localização para quem não conhecia o caminho, o enorme carvalho via-se de longe. Foi plantado por meu avô no dia em que meu pai nasceu. Quando o meu pai morreu, o carvalho tornou-se para mim o símbolo vivo do meu pai. A casa pertence a uma pequena quinta, que antes de ser nossa, foi do meu pai, do meu avô, do meu bisavô, etc.. A quinta é fértil e bonita, cheia de sol e de verde, atravessada por uma ribeira e situada numa zona de vale. Desvarios foram aquelas reformas agrícolas que obrigaram a arrancar as videiras das ramadas sobre os caminhos que tornavam os seus percursos em verdadeiros momentos de prazer.

A casa, essa, feita com paredes mestras de pedra, e ainda com algumas paredes interiores de estuque, tem uma planta em forma algo invulgar em forma de P. Não é muito confortável nem funcional. Não foi feita de uma só vez, mas foi crescendo com sucessivos aumentos, à medida das necessidades das grandes famílias antigas. É uma casa rural, com algumas partes típicas, como o sequeiro, as adegas, o lagar, as eiras, e até um pombal; outras partes são o resultado de modificações posteriores, adaptando a casa a novas circunstâncias. Com tudo isto, a casa conta uma história de uma família ao longo de gerações, é só perceber a linguagem, para o que basta conhecer o modo de vida rural minhoto deste século em vias de extinção.

Algo me liga lá, seja lá o que for; sejam os tempos que lá passei, correndo pelos campos ou esfolando os joelhos de triciclo e bicicleta com os tombos naquela solarenga eira; os jogos de escondidas e os jogos de cartas com os amigos em que o meu pai também participava; ou os fins de tarde em amena cavaqueira passados no eirado, pequena eira junto ao lagar. O eirado era um dos meus lugares preferidos: rodeado de casa por todos os lados, coberto com ramada de uvas americanas, para ele se viravam as portas das frescas adegas e das outrora cortes dos bovinos residentes no rés-do-chão. No fundo, o que me ficou mais marcado foi o espaço exterior. Talvez aquele lugar seja a representação presente de outra época, uma espécie de dimensão temporal do espaço.

Não foi projectada por arquitectos. Não foi planeada com estudos teóricos. Mas ninguém lhe tira as tardes de Verão em que se faziam as malhadas ou as desfolhadas, eram tempos de trabalho duro e saudável convívio; e lembro-me vagamente de passar a tarde a fazer pequenos ramos de flores para, ao jantar, distribuir aos trabalhadores vizinhos que se juntavam e ajudavam, muitas vezes pelo sentido de comunidade, cuja paga talvez fosse apenas aquele alegre jantar.

São as memórias e sensações que tenho e que tive ligadas a um lugar, a um bocado de espaço que vivi e que vivo. E tal como uma árvore, a ele me sinto agarrada com fortes raízes invisíveis.
Talvez um dia seja possível recuperar esse canto perdido no Minho, bem perto de nós, sem ter de desenraizar as árvores.

Junho de 1999

31 de julho de 2009

No mar

Magnete
metal
ausente
existente
baralha
confunde
bússola
demente

Perdida
a sul
nascente
e poente
tamanho
desnorte
em mim
presente

À deriva
sem rumo
perdida no mar
leva-me corrente
para algum lugar
onde o sol não queime
e haja luar

16 de julho de 2009

Boas pessoas

Gostaria de ser boa pessoa. Não sei se o sou, talvez não o seja. Mas nem sei definir o que é uma boa pessoa. Nem tão pouco sei dizer o que é uma má pessoa.

De que matéria são feitas as boas pessoas? Terão elas mais "razão" ou "sentimento" que as que o não são? O que as identifica? Ser boa pessoa não implica ser perfeito. Mas ser má pessoa implica de certeza ser muito imperfeito. Onde está a linha divisória? Difícil separação. As cores branco e negro misturam-se em diversas gradações de cinzentos. E depois, há as cores à mistura. Desta complexidade cromática, será que não se pode distinguir o claro do escuro?

Primariamente, move-nos o egoísmo, o impulso de satisfazer os nossos desejos e ambições. De sobressairmos, de sermos mais e melhor que os outros. Procura-se a felicidade no poder e no dinheiro, que se acha ser a fonte da satisfação dos desejos.
Alguns põe estes objectivos à frente de tudo e sobretudo à frente daqueles que se lhes deparam no caminho. Simulam. Mentem. Prejudicam. Corrompem-se.
Não, estes decerto não podem ser boas pessoas. Pelo menos enquanto pensarem que têm mais direitos que os outros. Enquanto não souberem que a felicidade maior vem de partilhar, e mais do dar que receber.

Depois, vem a nossa capacidade de olhar para os outros. De os respeitar. De os considerarmos iguais, por muito diferentes que sejam. De partilhar e de dar. Àqueles que nos rodeiam e àqueles que estão longe, bem longe.
E talvez seja nessa luta constante entre nós e os outros que se evidencia essa capacidade de dar que têm as boas pessoas.

Mesmo não sendo perfeitas, mesmo com momentos em que se deixam dominar pelo egoísmo, as boas pessoas passam pelas nossa vidas deixando um rasto de esperança na humanidade.

Talvez seja isso que as distingue.