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5 de setembro de 2009

Eu julgo, tu julgas, nós julgamos

Talvez por nos termos habituado a uma justiça inoperante, acompanhada de uma polícia ineficaz, temos uma tendência irresistível para julgar os outros.
Quando a poderosa comunicação social decide (sim, ela é que decide com o que nos devemos entreter) dar destaque a um determinado acontecimento negativo, seja crime ou não, eis que tanta gente começa a julgar. Quer dizer, não é bem só julgar: ele é advogados de defesa, é acusadores, é juízes, é um inteiro sistema judicial instituído logo no momento, que percorre num ápice o país de lés-a-lés. Arranjam-se suspeitos, acusados, réus, vítimas, testemunhas e bodes expiatórios enquanto o diabo esfrega um olho.
Entretanto, os que devem de direito investigar, defender, acusar, e julgar, continuam no seu ram-ram, mais baralhados e confusos. E alguns até gostam de entrar no jogo e dar palpites.
Com estes entretimentos todos, a verdade, das duas uma: ou se enterra num buraco tão profundo que dificilmente será descoberta, ou se desvanece em fumo para todo o sempre.

Será por isto que se diz deste país "de brandos costumes"?
(imagem da net)