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6 de fevereiro de 2010

A morte lenta

A seguir, está um extracto do artigo de opinião de Pedro Norton "A morte lenta", publicado na Visão desta semana. Leia o artigo completo clicando na foto ou no link. Excelente. Subscrevo.

"(...)
Portugal não tem um problema económico insolúvel. O País não tem escassez de diagnósticos nem de remédios. Portugal não tem, sequer, falta de quem os possa aplicar com eficácia e coragem. Mas Portugal tem, isso sim, um problema político sério. Portugal tem um sistema político doente, fechado sobre si mesmo e à sociedade, autista. Portugal tem uma democracia débil e refém de máquinas partidárias que sacrificam qualquer tentativa de regeneração ou de mudança do status quo à desesperada ânsia de autopreservação da sua imensa mediocridade. Portugal tem, por via dessa sufocante pulsão uniformizadora da sua partidocracia, uma total incapacidade de atrair ou de gerar elites e lideranças políticas com verdadeira vontade e capacidade reformista.
(...)
Se alguma coisa nos condenar à morte lenta não será a economia. Será a política. E é bom não esquecer que se o inferno são os outros, a política somos nós."

5 de setembro de 2009

Eu julgo, tu julgas, nós julgamos

Talvez por nos termos habituado a uma justiça inoperante, acompanhada de uma polícia ineficaz, temos uma tendência irresistível para julgar os outros.
Quando a poderosa comunicação social decide (sim, ela é que decide com o que nos devemos entreter) dar destaque a um determinado acontecimento negativo, seja crime ou não, eis que tanta gente começa a julgar. Quer dizer, não é bem só julgar: ele é advogados de defesa, é acusadores, é juízes, é um inteiro sistema judicial instituído logo no momento, que percorre num ápice o país de lés-a-lés. Arranjam-se suspeitos, acusados, réus, vítimas, testemunhas e bodes expiatórios enquanto o diabo esfrega um olho.
Entretanto, os que devem de direito investigar, defender, acusar, e julgar, continuam no seu ram-ram, mais baralhados e confusos. E alguns até gostam de entrar no jogo e dar palpites.
Com estes entretimentos todos, a verdade, das duas uma: ou se enterra num buraco tão profundo que dificilmente será descoberta, ou se desvanece em fumo para todo o sempre.

Será por isto que se diz deste país "de brandos costumes"?
(imagem da net)

30 de agosto de 2009

União de facto

Um extracto do artigo "Casados à força" de Miguel Sousa Tavares, no semanário Expresso de ontem, sobre o veto do Presidente da República ao diploma sobre as Uniões de Facto:

".... A imensa maioria dos casais que vivem em união de facto vivem assim exactamente por quererem uma relação onde à partida ambos sabem que não têm a esperar direito nenhuma obrigação ou direitos decorrentes da lei. É assim que escolheram viver e é um abuso que o Estado venha depois dar-lhes direitos que não reclamaram e que ostensivamente recusaram. Tanto mais, que ao conceder-lhes direitos iguais aos dos casados, não lhes impunha idênticos deveres - o que significava que os casados passariam a ter, face à lei, um estatuto de segunda categoria. ..."
Bem visto!

19 de julho de 2009

Houvesse muitos assim

Na revista Única incluída no semanário Expresso, de ontem, a rubrica Perfil apresenta um artigo intitulado "A torto e a direito" sobre o bastonário da ordem dos advogados, Marinho Pinto. Algumas das suas frases, são um testemunho da sua lucidez na análise da realidade deste Portugal:

- "A distribuição da riqueza é mal feita e acentuou desigualdades que lembram alguns dos piores momentos da nossa História. Os partidos políticos deixaram de ter um papel de moderação e mobilização e funcionam mais como sindicatos ou aparelhos que lutam por votos para receber os subsídios do Estado, o que descredibiliza o discurso político e as instituições democráticas."

- "Vive-se na espuma mediática criada pelos próprios jornalistas, que já não orientam a sua actividade por critérios de natureza ética e deontológica."

- "A aplicação mecânica da lei leva às piores injustiças. A lei é apenas uma de várias fontes de Direito". "Quando escolhi ser advogado, estava cheio de ilusões e ideais sobre a justiça. Perdi todas as ilusões, mas nenhum dos ideais."

Muito se fala, muito se diz, muito se ataca Marinho Pinto. É certo que ele dispara para muitos lados. Mas não a torto e a direito. À parte generalizações, bem sabemos que há muito de podre no funcionamento das instituições neste país.

Por isso, não tenho como não gostar e não aplaudir a coragem de Marinho Pinto .

16 de julho de 2009

Boas pessoas

Gostaria de ser boa pessoa. Não sei se o sou, talvez não o seja. Mas nem sei definir o que é uma boa pessoa. Nem tão pouco sei dizer o que é uma má pessoa.

De que matéria são feitas as boas pessoas? Terão elas mais "razão" ou "sentimento" que as que o não são? O que as identifica? Ser boa pessoa não implica ser perfeito. Mas ser má pessoa implica de certeza ser muito imperfeito. Onde está a linha divisória? Difícil separação. As cores branco e negro misturam-se em diversas gradações de cinzentos. E depois, há as cores à mistura. Desta complexidade cromática, será que não se pode distinguir o claro do escuro?

Primariamente, move-nos o egoísmo, o impulso de satisfazer os nossos desejos e ambições. De sobressairmos, de sermos mais e melhor que os outros. Procura-se a felicidade no poder e no dinheiro, que se acha ser a fonte da satisfação dos desejos.
Alguns põe estes objectivos à frente de tudo e sobretudo à frente daqueles que se lhes deparam no caminho. Simulam. Mentem. Prejudicam. Corrompem-se.
Não, estes decerto não podem ser boas pessoas. Pelo menos enquanto pensarem que têm mais direitos que os outros. Enquanto não souberem que a felicidade maior vem de partilhar, e mais do dar que receber.

Depois, vem a nossa capacidade de olhar para os outros. De os respeitar. De os considerarmos iguais, por muito diferentes que sejam. De partilhar e de dar. Àqueles que nos rodeiam e àqueles que estão longe, bem longe.
E talvez seja nessa luta constante entre nós e os outros que se evidencia essa capacidade de dar que têm as boas pessoas.

Mesmo não sendo perfeitas, mesmo com momentos em que se deixam dominar pelo egoísmo, as boas pessoas passam pelas nossa vidas deixando um rasto de esperança na humanidade.

Talvez seja isso que as distingue.