18 de fevereiro de 2011

Prosa sem pressa

Os seguintes parágrafos são extraídos do texto de Inês Pedrosa publicado na revista Única de 12 de Fevereiro de 2011, intitulado Programa para um ano de crise que se encontra já disponível online, e o melhor é ler o artigo todo.

"A competição desenfreada conduziu o mundo ao impasse em que estamos hoje. É tempo de percebermos que o remédio está na antítese do veneno - pararmos de correr e encontrarmos tempo para, simplesmente, dançar. A conversa da angústia sobre o futuro é velha e mata as novas gerações. Há trinta anos o telemóvel, a Internet e as redes sociais que entretanto criaram empresas e fortunas eram impensáveis - por conseguinte, que valor têm os augúrios de desgraça para os nossos filhos e netos? A nova geração precisa desesperadamente de incentivo - e sobretudo calma.
(...)
A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar. Deveríamos fazer da filosofia o centro dos currículos escolares, desde o primeiro ano de ensino - em vez de fazermos precisamente o contrário, como calamitosamente temos feito.
(...)
O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos. E pensar como quem dança, sem olhar para o par do lado nem pretender mais do que o prazer de rodopiar ao som da música."

4 comentários:

Manuela Freitas disse...

Olá Benjamina,
Eu até concordo com a Inês Pedrosa e com outras vozes, onde tb me incluo, relativamente a esta sociedade alienada em que vivemos, mas de forma pessimista considero que tomamos um caminho sem retrocesso, de tal modo se embarcou sem medir as consequências. Foi criada uma máquina que enferrujou, trabalha mal, mas parece-me que é preciso que estoire, para podermos encontrar outros caminhos!
Quem me dera estar a ser pessimista demais!
Beijos,
Manuela

manuel marques disse...

A vida consiste em gozar de boa saúde, em dormir sem medo e acordar sem angústia ...

Abraço.

Eduardo Miguel Pereira disse...

Benjamina, o tema é sério mas eu não resisto a brincar, duma forma que, espero, venha a contribuir para reforçar as acertadas palavras da Inês Pedrosa.

Seguindo esta linha de ideias da Inês Pedrosa, fica evidente que o mais evoluido dos Homens é, já hoje, o Alentejano. Que faz da calma e da capacidade de gozar o dia devagar o seu lema de vida.

Entende agora porque é que eu não vejo a hora de poder regressar ao meu Alentejo ?
É porque sou evoluido :-)))

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Adorei este texto de Inês Pedrosa, aliás, sempre leio o que ela escreve. Dizem que as crises teem sempre o seu lado bom e espero que esta traga o povo à realidade; que comece a andar com os pezinhos mais assentes no chão, vivendo com calma e conforme as possibilidades que tem;não é importante ter o mesmo carrão que o vizinho, ter o telemóvel de ultima geração, nem vestir marcas dos pés à cabeça; preocupam-se com tudo isto e o tempo não chega sequer para dar um beijo de boa noite ao filho e perguntar-lhe: " então como foi o seu dia hoje?" Este momento faz uma diferença tremenda na vida de qualquer criança. Um beijinho e parabéns pelo tema; muito oportuno para os tempos de correria da sociedade em que vivemos
Emília