31 de dezembro de 2011

Em cadeia e em círculo

Com os votos de um ano novo muito melhor do que o esperado! Façamos por isso!

17 de dezembro de 2011

25 de novembro de 2011

Voltar ao início

Uma versão country da música The Scientist dos Coldplay, interpretado por Willie Nelson, como banda sonora da curta-metragem de animação "Back to the Start", realizada por Johnny Kelly

13 de novembro de 2011

Serenidade

Não o conhecia bem, era amigo dos meus amigos, há muitos anos, mas poucas vezes nos cruzamos. Era uma daquelas pessoas de que não podia deixar de gostar. Nasceu no mesmo ano que eu, e hoje partiu, depois de uma vida que não lhe deu tréguas. Através do facebook, este vídeo foi uma das suas últimas partilhas. Partilho-a também, com a frase que ele deixou.

«A serenidade é fantástica, faz lembrar o "As quatro estações" de Vivaldi»

21 de outubro de 2011

Pensando em nada

"Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."

Alberto Caeiro

12 de setembro de 2011

O Beijo do Sol

O novo projecto de Pedro Osório, "Cantos da Babilónia", está quase pronto. "É constituido por peças em que o piano tem um papel de destaque, e que são construidas a partir de pequenos excertos de canções tradicionais da Europa, Ásia e África." (Fonte: Pedro Osório

5 de setembro de 2011

Freddie Mercury no Google

Porque gostei da animação com que a Google nos brindou para comemorar o 65º aniversário do nascimento de Freddie Mercury, aqui a "armazeno".

29 de agosto de 2011

The Lady

















 
"The Lady" é um filme de Luc Besson sobre uma parte a vida de Aung San Suu Kyi, líder da oposição na Birmânia (Mianmar) que ganhou o prémio Nobel da paz em 1991 e que passou 15 dos últimos 21 anos prisioneira. O filme tem estreia marcada para 30 de Novembro (em França) e em Outubro abrirá o Festival Internazionale del Film di Roma.  Os cartazes são da autoria de Shepard Fairey.

25 de julho de 2011

Há um tempo, todo o tempo, nenhum tempo

Porque há um tempo para rir, um tempo para chorar, um tempo para reflectir, um tempo para construir... porque todo o tempo devia ser tempo de amor, amizade e partilha... e porque nenhum tempo devia ser tempo de ódio ou de guerra... partilho novamente esta música, de que tanto gosto!

4 de julho de 2011

2º aniversário - Mas há a vida

Tão pouco tempo tenho tido disponível para ir alimentando este Armazém, ou mesmo para visitar outros armazéns que tanto merecem o meu carinho, que quase me esquecia que este é o dia do 2º aniversário deste blogue.

Mas há a vida, e há o sol!

"Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

Clarice Lispector (fonte: Jornal de Poesia)


Música: Hino ao Sol, de Marcus Viana

13 de junho de 2011

Viver é ser outro

"Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir  - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.

Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.

Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão.

Altos montes da cidade! Grandes arquitecturas que as encostas íngremes seguram e engrandecem, resvalamentos de edifícios diversamente amontoados, que a luz tece de sombras e queimações  - sois hoje, sois eu, porque vos vejo sois o que amanhece e amo-vos da amurada como um navio que passa por outro navio e há saudades desconhecidas na passagem."

Bernardo Soares / Fernando Pessoa, em "Livro do Desassossego", 18-5-1930

1 de maio de 2011

Conselhos desperdiçados

Da autoria de Mary Schmidt, no Chicago Tribune de 1 de Junho de 1997, o texto "Advice, like youth, probably just wasted on the young" correu mundo em e-mail com o título "Wear Sunscreen" e resultou nesse vídeo (versão narrada em português por Pedro Bial aqui), entre outros:

25 de abril de 2011

Abril

"Conto-te resumidamente o que aconteceu em Abril:
Colhias flores, mas apesar de tudo senti que o medo
te ceifava os dedos tingidos de pétalas.
Ouviam-se ao longe os passos de guerra na calçada,
as pedras dos monumentos oscilavam,
as estátuas tremiam de frio,
as aves não sabiam o que eram asas
e afogavam-se no grande rio.
As janelas tinham rostos colados, cinzentos.
Quiseste fugir para longe quando te falei de amor.
Mas eis que do céu cai toda a água do mundo.
Disse-te: não tenhas medo, é Abril;
as medonhas gárgulas apenas vomitam águas da chuva.
E tu sorriste e tu sorriste, e com o teu sorriso
estendeste-me um poema vermelho."

Paulo Assim

24 de abril de 2011

Havia Séculos

Imagem da NASA
"Havia séculos
e eram florestas sobre florestas escritas.
O canto cantava: era o incêndio do vento

folheando a memória da terra

essa maranha de raízes aéreas que nasciam enterrando
mais fundo as árvores anteriores;
essa teia nocturna de troncos e lianas, de ramos e folhas,
nervuras que os versos enervam irrespiráveis;
esse mapa em relevo lavrado pela paciência da luz
que atrasando-se recorta
estas estranhas esculturas do tempo:
os poemas selvagens

o máximo excesso de uma rosa aquática e frágil
sempre a nascer desfiladeiros
e falésias, fendas, quebradas, ravinas
vulcões que deflagram em écrans sucessivos

Havia séculos
e o cinema dos astros
acendia ampolas e bagas, campânulas, cápsulas, lâmpadas;
punha em música a infinita noite dos versos que longamente
escutam
aqueles que muito antes ou muito depois vieram ou virão
até estes anfiteatros que os desertos invadem.

Havia séculos
e
atravessando as ruínas dessa terra quente, as páginas
de água dessa rosa alucinada
havia esse:
o comum de nós que dos seus se dividindo, verso
a verso, procura ainda alguém. E assim
era de novo o início.

A grande migração das imagens — havia séculos —
desde há muito começara, desde sempre, já.
E sem cessar migrávamos nós, inquietos e perdidos

sem paz e sem lei, sem amos nem destino."

Manuel Gusmão, em  Migrações do Fogo, Editorial Caminho, Lisboa, 2004, obtido daqui

O poeta e ensaísta  Manuel Gusmão venceu o Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, criado pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, pela obra Tatuagem Palimpsesto.  O prémio é entregue no dia 29 de Abril em Vila Nova de Famalicão.

8 de abril de 2011

Íssimo cansaço...

Edvard Munch, Night in Saint Cloud

"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossìvelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço..."

Álvaro de Campos



Música: Evanescence, Listen to the Rain

26 de março de 2011

"Sou do tamanho do que vejo!”

«Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho da sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade…


Porque eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura.


Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.
“Sou do tamanho do que vejo!” Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!” Que grande posse mental Vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele, e, assim, em certo modo, ali estão.

E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. “Sou do tamanho do que vejo!” E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.

Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade largal aos grandes espaços da matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando. “Sou do tamanho do que vejo!” E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.
»

Bernardo Soares / Fernando Pessoa, em "Livro do Desassossego", 24-03-1930

5 de março de 2011

Unchained Melody

"Unchained Melody " é uma canção popular de 1955 com música de Alex North e letra de Hy Zaret. Tornou-se uma das canções mais gravadas do século 20, por ter gerado mais de 500 versões" (Wikipedia) . Aqui ficam três delas.




18 de fevereiro de 2011

Prosa sem pressa

Os seguintes parágrafos são extraídos do texto de Inês Pedrosa publicado na revista Única de 12 de Fevereiro de 2011, intitulado Programa para um ano de crise que se encontra já disponível online, e o melhor é ler o artigo todo.

"A competição desenfreada conduziu o mundo ao impasse em que estamos hoje. É tempo de percebermos que o remédio está na antítese do veneno - pararmos de correr e encontrarmos tempo para, simplesmente, dançar. A conversa da angústia sobre o futuro é velha e mata as novas gerações. Há trinta anos o telemóvel, a Internet e as redes sociais que entretanto criaram empresas e fortunas eram impensáveis - por conseguinte, que valor têm os augúrios de desgraça para os nossos filhos e netos? A nova geração precisa desesperadamente de incentivo - e sobretudo calma.
(...)
A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar. Deveríamos fazer da filosofia o centro dos currículos escolares, desde o primeiro ano de ensino - em vez de fazermos precisamente o contrário, como calamitosamente temos feito.
(...)
O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos. E pensar como quem dança, sem olhar para o par do lado nem pretender mais do que o prazer de rodopiar ao som da música."

14 de fevereiro de 2011

Traduzir-se em Metade



Se o poema "Traduzir-se" de Ferreira Gullar (vencedor do prémio Camões 2010), aqui em cima cantado por Chico Buarque e Fagner (e musicado por este último), foi plagiado neste "Metade" de Oswaldo Montenegro, em baixo, não sei, mas corre por aí!


1 de fevereiro de 2011

Está validado?

Depois do "Smile" do Chaplin, um outro "Smile" merece ser visto: a curta metragem "Validation", de 2007, escrita e realizada por Kurt Kuenne, com  T.J. Thyne no papel principal (o filme também se encontra no Youtube legendado, em  parte 1 e parte 2).

30 de janeiro de 2011

Uma volta pelo lado selvagem

Desde 1972, "Take a Walk on the Wild Side", de Lou Reed, fica na história da música e também na história da cidade de Nova Iorque.


Lou Reed - A walk on the wild side. - MyVideo

22 de janeiro de 2011

A espantosa realidade das cousas

Mosteiro de Tibães - exterior
"A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade."

Alberto Caeiro

12 de janeiro de 2011

Superação

De origem sérvia, Nick Vujicic nasceu em Brisbane, na Austrália, em 1982. Nasceu sem braços e sem pernas. Mas o que lhe falta em membros, sobra-lhe em alegria de viver e motivação. Aos 17 anos fundou uma organização sem fins lucrativos, a Life Without Limbs, e vive de palestras motivacionais pelo mundo fora. Um exemplo de superação e optimismo.