30 de setembro de 2009

Imaginemos um cenário

Conhecem a bússola eleitoral que esteve disponível na internet para as legislativas 2009? Se não, dêem lá um saltinho, respondam às perguntas e vejam o resultado. Depois, façam comigo um exercício de imaginação.

Assim:

Imaginemos a bússola eleitoral.
Imaginemos que que a bússola eleitoral é validada por todos os partidos políticos e que as perguntas que a compõe traduzem efectivamente as principais linhas de orientação dos programas dos partidos políticos.
Imaginemos que as perguntas relativas à confiança que temos nos presidentes dos partidos e nos próprios partidos políticos tinha alguma ponderação no cômputo geral, embora relativamente baixa, digamos 10 a 15 %, para cada (nesta bússola 2009 não interferem na escolha, ou seja é zero), porque a confiança nas pessoas e partidos também deve valer alguma coisa.
Imaginemos que o voto é electrónico e consiste na resposta às perguntas da bússola eleitoral.
Imaginemos que a bússola calcula e converte todas as respostas dos eleitores, respondendo qual o partido cujas propostas mais se aproximam da vontade dos portugueses, e que esse será o partido que vai formar governo.
Imaginemos também que o número de deputados na assembleia da república para cada partido seria também calculado por uma fórmula da bússola, efectuada a nível distrital ou regional.

Agora, imaginemos o mais difícil:

O partido que forma governo, cumpre mesmo o seu programa eleitoral, salvo se, em alguma das questões que outro partido tenha tido maior votação, entender que afinal pode seguir essa via sem prejudicar o restante programa. Se se desviar do programa sem ser por este motivo ou outro de maior relevância, o governo deve ser demitido pelo presidente da república.

A assembleia da república é composta por metade dos deputados em relação à actualidade, mas todos esses deputados efectivamente trabalham e cumprem o seu papel (que não é só votar nas propostas), pois se não o fizerem, são despedidos e substituídos pelo seguinte da lista.

É um cenário interessante, não é?

29 de setembro de 2009

Cristalizações


"Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua,

Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto Sol abafa e cria!
A frialidade exige o movimento;
E as poças de água, como um chão vidrento,
Refletem a molhada casaria.

Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã bonita,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos com parreiras.

Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra - que união sonora! -
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes."


Cesário Verde, em O Livro de Cesário Verde

26 de setembro de 2009

Campanha contra a fome - "A billion for a billion"

Desculpem insistir, mas precisam da vossa ajuda.
Morrem 10 crianças por minuto por falta de alimentos.
Mais de mil milhões ("1 billion") de pessoas estão a sofrer com a fome.
Nunca este número foi tão elevado.
Os donativos para ajudar atingiram o mínimo dos últimos 20 anos.

Façam um donativo a WFP.
E por favor, divulguem esta campanha.
Usem as ferramentas desta "grande rede", blogues, e-mails, facebook, twitter, hi5, e outras redes.
Vamos ser muitos a ajudar muitos. Vamos fazer a diferença!

(Nota: este post é igual e veio de "Sustentabilidade É Acção" com a devida autorização)

25 de setembro de 2009

Voto útil?

A Isabela Figueiredo, de cujo "Novo Mundo" não perco uma pitada, e que tem o dom de me pôr a pensar (não que eu não pensasse antes, entendem-me, mas às vezes distraio-me...) mais uma vez me pôs a reflectir com o seu "O inútil voto útil".

Confesso que o voto útil já me deixou tentada. Mas o pior, é que depois de reflectir, acabei por discordar um pouco da Isabela - é que me parece que o "voto útil" não é inútil, mas antes, pernicioso. O voto útil pura e simplesmente deturpa completamente aquilo que deveria ser a democracia.

Como seria o resultado das eleições se ninguém votasse pela "utilidade", mas se votasse antes de acordo com aquilo que sinceramente mais se coaduna com as suas convicções?

Não sei como seria o resultado, mas uma certeza se apodera de mim: seria bem diferente do que tem sido e do que vai ser.

Não, eu não vou votar no "voto útil" eu vou votar em consciência. Pode ser que assim tenha mais utilidade para a democracia.

(imagem da net, a que tirei a cor para não ter conotações políticas)

23 de setembro de 2009

22 de setembro de 2009

Gandhi sabia!

Algumas frases de Gandhi que merecem a nossa sincera reflexão:


1 - Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição.

2 - Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.

3 - A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

4 - Olho por olho, e o mundo acabará cego.

5 - Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.

6 - Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.


20 de setembro de 2009

Pavarotti, Bono, Módena

Em comum, Bono, Pavarotti e a cidade de Módena. Ave Maria, em 2003. Miss Sarajevo, em 1995.



17 de setembro de 2009

Bosques, blogues, vícios, prémios e malmequeres

Era (é) uma vez uma gentil Fada do Bosque, que trabalha numa Oficina do Bosque, onde, com a magia da sua varinha de condão, com trabalho árduo e com uma grande dose de bom gosto e imaginação, converte móveis e peças antigas, velhas e estragadas, em verdadeiras obras de arte, com a vantagem de serem úteis e de permitirem reduzir o abate de árvores.

Essa Fada é uma fada boa e gosta muito de dar coisas às pessoas de quem gosta. Mas como não é rica, resolveu dar prémios em flores.

E assim recebi o prémio "O seu blog é viciante" das mãos desta fada, que pegou na varinha de condão e o transformou, como é seu costume, de um esqueleto a apodrecer, num belo ramo de malmequeres.

Obrigada querida Fada, pelo prémio, que me faz ficar vaidosa deste armazém, apesar de eu saber que é imerecido e que foi dado devido à tua bondade e amizade.

Bom, mas este prémio traz consigo o encargo de o distribuir por outros 10 blogues que considere viciantes. Ora aqui está uma tarefa difícil, pois estou mesmo em dificuldades para tomar uma decisão (deve ser da fase da lua...).

Por isso, tomo uma espécie de não decisão, e dedico este prémio a todos os blogues que estão naquela lista ali ao lado direito, onde diz "outros armazéns", mas com entrega especial de malmequeres para aqueles que visitam este armazém.

14 de setembro de 2009

Be yourself no matter what they say

Gosto deste vídeo. Gosto desta música. Gosto da mensagem. Gostaria de ir a Nova Iorque.
A música e o vídeo são de 1987. O "Englishman in New York" é Quentin Crisp.

11 de setembro de 2009

Perdi Meus Fantásticos Castelos

"Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? -
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias... "

Florbela Espanca, em "A Mensageira das Violetas"

8 de setembro de 2009

Zequinha

Este cão chama-se Zequinha e foi abandonado num convento. Vive e canta com as freiras. Não será mais humano que muitos de nós?

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5 de setembro de 2009

Eu julgo, tu julgas, nós julgamos

Talvez por nos termos habituado a uma justiça inoperante, acompanhada de uma polícia ineficaz, temos uma tendência irresistível para julgar os outros.
Quando a poderosa comunicação social decide (sim, ela é que decide com o que nos devemos entreter) dar destaque a um determinado acontecimento negativo, seja crime ou não, eis que tanta gente começa a julgar. Quer dizer, não é bem só julgar: ele é advogados de defesa, é acusadores, é juízes, é um inteiro sistema judicial instituído logo no momento, que percorre num ápice o país de lés-a-lés. Arranjam-se suspeitos, acusados, réus, vítimas, testemunhas e bodes expiatórios enquanto o diabo esfrega um olho.
Entretanto, os que devem de direito investigar, defender, acusar, e julgar, continuam no seu ram-ram, mais baralhados e confusos. E alguns até gostam de entrar no jogo e dar palpites.
Com estes entretimentos todos, a verdade, das duas uma: ou se enterra num buraco tão profundo que dificilmente será descoberta, ou se desvanece em fumo para todo o sempre.

Será por isto que se diz deste país "de brandos costumes"?
(imagem da net)

4 de setembro de 2009

Vincent

Vincent - poema e a primeira animação em stop-motion de Tim Burton, com narração de Vincent Price. O poder da imaginação.

1 de setembro de 2009

Influências

Curta metragem de Sofia Alves, Ana Salgado e António Fernandes, que ficou em segundo lugar no concurso Videorun! inserido no Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde 2009 (decorreu de 4 a 12 de Julho). No Videorun, os candidatos têm 48 horas para fazer um filme de 3 minutos, a partir do "lançamento" do tema, que foi, neste ano, "O FUTURO" - 24 horas para fazerem o argumento e filmarem e 24 horas para editarem e montarem.