30 de setembro de 2009

Imaginemos um cenário

Conhecem a bússola eleitoral que esteve disponível na internet para as legislativas 2009? Se não, dêem lá um saltinho, respondam às perguntas e vejam o resultado. Depois, façam comigo um exercício de imaginação.

Assim:

Imaginemos a bússola eleitoral.
Imaginemos que que a bússola eleitoral é validada por todos os partidos políticos e que as perguntas que a compõe traduzem efectivamente as principais linhas de orientação dos programas dos partidos políticos.
Imaginemos que as perguntas relativas à confiança que temos nos presidentes dos partidos e nos próprios partidos políticos tinha alguma ponderação no cômputo geral, embora relativamente baixa, digamos 10 a 15 %, para cada (nesta bússola 2009 não interferem na escolha, ou seja é zero), porque a confiança nas pessoas e partidos também deve valer alguma coisa.
Imaginemos que o voto é electrónico e consiste na resposta às perguntas da bússola eleitoral.
Imaginemos que a bússola calcula e converte todas as respostas dos eleitores, respondendo qual o partido cujas propostas mais se aproximam da vontade dos portugueses, e que esse será o partido que vai formar governo.
Imaginemos também que o número de deputados na assembleia da república para cada partido seria também calculado por uma fórmula da bússola, efectuada a nível distrital ou regional.

Agora, imaginemos o mais difícil:

O partido que forma governo, cumpre mesmo o seu programa eleitoral, salvo se, em alguma das questões que outro partido tenha tido maior votação, entender que afinal pode seguir essa via sem prejudicar o restante programa. Se se desviar do programa sem ser por este motivo ou outro de maior relevância, o governo deve ser demitido pelo presidente da república.

A assembleia da república é composta por metade dos deputados em relação à actualidade, mas todos esses deputados efectivamente trabalham e cumprem o seu papel (que não é só votar nas propostas), pois se não o fizerem, são despedidos e substituídos pelo seguinte da lista.

É um cenário interessante, não é?

6 comentários:

Ferreira-Pinto disse...

E se a bússola se avaria ou for manipulada por algum estratagma daqueles que só o Presidente parece conhecer?

Benjamina disse...

Caro Ferreira-Pinto

A bússola até pode "avariar", como avaria muita coisa e sobretudo PCs e outros terminais electrónicos, mas haverá com certeza quem repare. Já estamos habituados a essas coisas.

Agora, não parece mais fiável que se os votos tradicionais em papel? Não és tu que achas mal o voto em branco por poder ser alterado? Isso não é manipular?

E com as mentes cheias de lavagens ao cérebro desde pequenos, que votam porque sim ou porque "runs in the family", ou pior, na perspectiva de "tachos"?

Olha que pode ser um disparate, mas maior que o actual, acho que não será!

Quanto ao PR, não comento, estou "enjoada" do assunto, não se fala nem se escreve de outra coisa.

Abraços e obrigada pela participação.

Fada do bosque disse...

Aqui em Portugal tudo que mete política estraga-se. Mas está bem visto!

Benjamina disse...

Fada, obrigada. sempre era um pouco melhor!

Ferreira-Pinto disse...

Eu passei por cá e ia responder, mas agora me lembrei ... atenta a minha condição de "sapo", não só não sei ler como escrever! :)

Benjamina disse...

Ferreira-Pinto
Os sapos portugueses são especiais - sabem ler e escrever... então?