11 de setembro de 2009

Perdi Meus Fantásticos Castelos

"Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? -
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias... "

Florbela Espanca, em "A Mensageira das Violetas"

3 comentários:

Fada do bosque disse...

Aconselho-te, a ir ver o princípio do fim da nossa civilização, no blogue de Frederico Duarte de Carvalho, Para Mim Tanto Me Faz. Aquele filme é revelador.

Ferreira-Pinto disse...

Nunca me teria ocorrido associar Florblea Espanca ao 11 de Setembro, mas as palavras depois de lidas são reveladoras!

Benjamina disse...

Ferreira-Pinto
De facto, o poema podia ser narrado por: "Nova Iorque, 11/09/2001", encaixava tristemente como uma luva...