5 de setembro de 2009

Eu julgo, tu julgas, nós julgamos

Talvez por nos termos habituado a uma justiça inoperante, acompanhada de uma polícia ineficaz, temos uma tendência irresistível para julgar os outros.
Quando a poderosa comunicação social decide (sim, ela é que decide com o que nos devemos entreter) dar destaque a um determinado acontecimento negativo, seja crime ou não, eis que tanta gente começa a julgar. Quer dizer, não é bem só julgar: ele é advogados de defesa, é acusadores, é juízes, é um inteiro sistema judicial instituído logo no momento, que percorre num ápice o país de lés-a-lés. Arranjam-se suspeitos, acusados, réus, vítimas, testemunhas e bodes expiatórios enquanto o diabo esfrega um olho.
Entretanto, os que devem de direito investigar, defender, acusar, e julgar, continuam no seu ram-ram, mais baralhados e confusos. E alguns até gostam de entrar no jogo e dar palpites.
Com estes entretimentos todos, a verdade, das duas uma: ou se enterra num buraco tão profundo que dificilmente será descoberta, ou se desvanece em fumo para todo o sempre.

Será por isto que se diz deste país "de brandos costumes"?
(imagem da net)

3 comentários:

A Palavra Mágica disse...

Benjamina,

Esse negócio de julgamento é mesmo complicado, mas conheço uma frase, cujo autor não me lembro, que diz: "Falar é fácil, difícil é ser eu".

Beijos!
Alcides

Ferreira-Pinto disse...

Não creio que seja pela falta de parcimónia nos comentários e excesso de lentidão na marcha da Justiça que se possa falar em país de brandos costumes!
Poder-se-á, quando muito, falar em país da intriga, da má-língua e do indivualismo que se deixou ir na onda da preguiça mental e acha que tudo o que a televisão, sobretudo essa, lhe mete pela casa adentro é verdade.

Benjamina disse...

Alcides
Gostei dessa frase, sobretudo da parte do "difícil é se eu". Também acho que já tinha ouvido, mas não me lembro de quem. Mas está bem pensada!
Obrigada pela visita.

Ferreira-Pinto
Ando a tentar perceber donde vem essa história de o povo português ser de "brandos costumes": da justiça, de facto não é, porque ela só é branda para os poderosos ou para os grandes criminosos...
Será de ser um povo que muito fala e pouco faz?
Ou será antes de ser um povo que vê o que está mal e encolhe os ombros e deixa andar?
Ou será de ser um povo que nem quer ver o que está mal?
Essa da má-língua, intriga, individualismo e preguiça mental, está bem vista... é o outro lado da questão!
Obrigada