18 de julho de 2009

Amostra sem valor

"Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo."

António Gedeão

2 comentários:

Fada do bosque disse...

Este pequeno texto, está de uma profundidade, de uma realidade transcendente. Mostra-nos a percepção do Universo e aquilo sentimos ser, a nossa totalidade, como um ser perfeito da criação e do imperfeito do EU, ou EGO.

Benjamina disse...

FAda
É de facto um poema que coloca cada um na sua dimensão mínima e máxima.